Nesta segunda-feira (16), a Comissão de Finanças recebeu o diretor-presidente da ES Gás, Fábio Bertollo, que aproveitou o espaço para prestar contas sobre o trabalho realizado à frente da concessionária. A empresa é responsável pelo abastecimento de gás natural, entre outros, nos segmentos residencial, comercial, industrial e automotivo.
O objetivo do colegiado, explicou o presidente Mazinho dos Anjos (PSDB), foi entender os números pós-privatização, realizada em 2023. Segundo Bertollo, de lá até dezembro de 2024, mais de R$ 126 milhões foram investidos pela empresa, dinheiro que permitiu melhorias como a ampliação do gasoduto em mais de 100 Km (totalizando 570 Km) e a entrada de mais um município (Guarapari).
Conforme disse, outro impacto positivo foi a queda dos preços. “Desde o momento zero nós trabalhamos com a questão da competitividade do gás, que era uma preocupação muito latente no estado. Então os preços do gás caíram nesse período 15%”. Segundo ele, o Espírito Santo é líder no mercado livre do produto. “Um terço do volume que a ES Gás transaciona hoje é através de produtor independente do petróleo”.
Desafios
Mas, no entendimento do convidado, há um “caminho longo para percorrer”. “O Espírito Santo, dentre os estados do Sul e do Sudeste, é o estado que tem a menor infraestrutura de gás, com a menor quilometragem e com menor número de indústrias de gás natural e está entre os menores em números de clientes residenciais e comerciais”, detalhou.
Segundo dados da concessionária, de setembro de 2024, no segmento industrial, por exemplo, a empresa atendia 61 estabelecimentos aqui no ES. Em SP, o combustível era usado por 1.917 clientes do setor. Vale lembrar que além do Espírito Santo, a companhia atua na distribuição de gás natural no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas.
No ramo comercial e residencial, os números eram de 2.783.807 locais atendidos em São Paulo, e 83.185 em solo capixaba. Já os postos que abastecem com Gás Natural Veicular (GNV) totalizavam 271 contra 41, nessa ordem. Quando o assunto é gasoduto, o estado paulista tinha uma rede de 26.104 Km de extensão, bem superior aos atuais 570 da concessionária capixaba.
Plano
Para suprir essa lacuna, o diretor-presidente apresentou o Plano de Aceleração 2025-2030, que prevê a injeção de R$ 1 bilhão em investimentos. A ação é baseada em quatro pilares: descarbonização, segurança energética e competitividade.
O foco será em programas de interiorização (R$ 300 milhões), democratização energética (R$ 470 milhões), e na operação segura e confiável (R$ 230 milhões), revelou o convidado. De acordo com ele, o plano beneficia Estado, municípios, setor produtivo, população e meio ambiente. “A gente reafirma nossa promessa de continuar investindo no estado, com mais R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos”.
A projeção é que em 2030 o ES tenha uma rede de distribuição com 1.100 Km de extensão; um total de 180 mil consumidores atendidos (residencial, comercial e industrial), 90 mil usuários de veículos com gás GNV, além de 92 indústrias abastecidas pelo gasoduto. “Garantindo a modicidade tarifária, que é um dos nossos objetivos”, salientou.
A empresa, que está hoje em 14 municípios capixabas (Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Guarapari, Anchieta, Itapemirim, Cachoeiro do Itapemirim, Linhares, São Mateus, Aracruz, Colatina, Sooretama) também deverá atender mais cinco nos próximos anos.
De acordo com Bertollo, nesse contexto do plano a estimativa é que será evitado o despejo de 900 mil toneladas de gás do efeito estufa (CO2) na atmosfera anualmente. O gás natural é considerado menos poluente que outros combustíveis fósseis como carvão e petróleo.
Privatização
A então Companhia de Distribuição de Gás do Espírito Santo (ES Gás) foi privatizada em março de 2023 quando o Grupo Energisa venceu leilão realizado na Bolsa de Valores do Brasil (B3) ao desembolsar R$ R$ 1,423 bilhão. A Energisa ficou com todas as ações da estatal.
Diante das informações prestadas, o deputado Mazinho dos Anjos considerou a desestatização como acertada. Ele pontuou aspectos como geração de emprego e renda, investimento e a entrega do serviço para a população a preços menores devido à competitividade gerada. Um dos pontos debatidos foi a interiorização.
Ele destacou que a infraestrutura implantada pela rede de distribuição é um atrativo para as indústrias. “Jaguaré já deixou de levar várias indústrias por não ter rede de gás, prejudicando o município”. A localidade deve ser contemplada, assim como Nova Venécia, na região norte capixaba. “Aonde chega o gás a concorrência aumenta e diminui o preço para o consumidor final”, avaliou.
A reunião também teve a participação dos deputados Adilson Espindula (PSD), Coronel Welliton (PRD), Denninho Silva (União) e Callegari (PL). Os deputados consideraram importante a expansão da infraestrutura de gás, sobretudo, para cidades do interior capixaba.
O Plano de Aceleração 2025-2030 está em consulta pública no site da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (Arsp).