“Autismo na Vida Adulta: Desafios Invisíveis” é tema de palestra na Câmara de Vitória

A especialista Cláudia Moura abordou o tema no Plenário Maria Ortiz na última segunda-feira (15/09)

A Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência ou com Doença Rara, presidida pelo vereador Davi Esmael (Republicanos), recebeu nesta segunda-feira (15/09), no Plenário Maria Ortiz, a psicóloga e professora universitária Cláudia Moura para apresentar uma palestra com o tema “Autismo na Vida Adulta: Desafios Invisíveis”.

 

De maneira prática e didática, a palestrante, que possui uma certificação internacional sobre o tema, ao qual se dedica há 25 anos, iniciou sua abordagem afirmando que sempre se trata do tema do autismo infantil, mas afirmou que é importante ter um olhar mais atencioso sobre o autismo adulto, porque as crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) crescem e envelhecem.

 

“Os desafios invisíveis começam na infância. A família das pessoas com TEA recebem um diagnóstico sobre o qual não estão preparadas para compreender, o que isso realmente representa e o que muda a partir desse diagnóstico”, disse a professora. “Trabalho com famílias e muitos cuidadores que não sabem o que este diagnóstico significa e não têm uma compreensão mínima sobre o tema. Esse é o primeiro passo e o primeiro desafio enfrentado”, explicou.

 

Cláudia Moura afirma que é preciso ver a pessoa com TEA como um sujeito de direitos, que precisam ser respeitados, como acontece com outros cidadãos. Segundo ela, outro desafio invisível é compreender que o autismo não é uma doença, mas um transtorno de neurodesenvolvimento, e o diagnóstico é eminentemente clínico. “Não é uma condição fenotípica como no caso da Síndrome de Down, e muitas vezes, em cerca de 9% dos casos, a pessoa descobre um diagnóstico equivocado, o que prejudica a pessoa e a família”, diz ela.

 

Dando continuidade à explanação, a especialista informou que o Transtorno de Espectro Autista é uma condição vitalícia, de causa desconhecida, com diferentes graus de dificuldade de convivência. Segundo ela, as estatísticas mostram que em 2004, a cada 150 recém-nascidos, um nascia com autismo. Em 2025, a cada 31 recém-nascidos, um nasce com TEA.

 

“Estamos com autistas ao nosso lado o tempo todo. Isso é uma estatística”, observou a palestrante. “É preciso muito mais ações e estudos para garantir a qualidade de vida dessas pessoas e de suas famílias. A população está envelhecendo. Quem vai cuidar das pessoas com TEA?”, perguntou Cláudia.

 

Entre as possibilidades de atuação, ela elencou políticas públicas em várias áreas: comunicação social, linguagem, interação com seus pares, saúde pública e mental, relacionamento, interação parental, trabalho e outros. “Ainda há muito por saber, mas é preciso agir. Se não for agora, quando? Se não formos nós, quem?”, questionou.

 

O vereador Davi Esmael agradeceu à contribuição da especialista e acrescentou que, após 12 anos na Câmara, ele avalia que nunca se fez tanto pela pessoa com deficiência em Vitória. “O que não quer dizer que está tudo ótimo, longe disso. Mas significa dizer que encontramos um alvo: a inclusão, que é algo permanente em nossa agenda de trabalho”, afirmou.

 

O vereador Camillo Neves (PP) também esteve presente. Confira a reunião na íntegra clicando aqui.

 

 

Fonte: Câmara Municipal de Vitória