A produção industrial do Espírito Santo cresceu 12,8% em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e registrou o maior avanço entre os 18 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ocorre em um cenário de retração da indústria brasileira, que recuou 0,5% no período, com queda em 11 estados.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo IBGE no dia 10 de setembro e analisada pelo Observatório Findes. Segundo o levantamento, no Espírito Santo, o desempenho foi sustentado principalmente pela indústria extrativa, mas também houve crescimento na indústria de transformação. Com o resultado de julho, a indústria capixaba chegou ao 15º mês consecutivo de crescimento de dois dígitos na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Petróleo, gás e minério puxam resultado
A indústria extrativa apresentou alta de 17,1% em julho, impulsionada pelo aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro. A produção de petróleo no Espírito Santo chegou a 275,9 mil barris por dia (bbl/d) em julho, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume representa crescimento de 30,6% em relação a julho de 2025.
O campo de Jubarte, no litoral sul capixaba, foi um dos destaques. A produção média alcançou 189,2 mil bbl/d, alta de 14,4% em um ano. Além disso, parte desse resultado veio do Maria Quitéria, que produziu, em média, 66,3 mil bbl/d no mês, operando a cerca de 66,3% da capacidade de 100 mil bbl/d. Outro destaque foi o campo de Wahoo, que atingiu produção média de 38,4 mil bbl/d, próxima da meta de 40 mil estabelecida após a abertura dos quatro poços do campo.
“Esse movimento posiciona o Espírito Santo entre os estados mais dinâmicos em termos de avanço da produção no cenário nacional. Segundo o IBGE, o aumento nas produções de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro explica o desempenho expressivo da indústria extrativa capixaba no período”, explica a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva.

Na indústria de transformação, a produção aumentou 2,8% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025. Entre as quatro atividades pesquisadas, duas registraram crescimento. A metalurgia teve alta de 7,8%, influenciada pelo aumento da produção de bobinas a quente de aço. Já a fabricação de produtos de minerais não metálicos cresceu 6,1%, resultado associado à maior produção de granito talhado ou serrado.
A metalurgia também apresentou crescimento nas demais bases de comparação e vem contribuindo para o avanço das exportações do segmento. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam alta de 23,8% nas exportações da metalurgia capixaba em 2026.
Indústria também cresce na passagem de junho para julho
Na comparação mensal, entre junho e julho de 2026, a indústria capixaba também apresentou expansão. A indústria extrativa cresceu 0,7%, enquanto a indústria de transformação avançou 2,7%. Entre as atividades da transformação, a fabricação de produtos de minerais não metálicos teve alta de 6,5%, seguida pela metalurgia, com crescimento de 2,6%.Na outra ponta, a fabricação de produtos alimentícios recuou 4,4%, enquanto a fabricação de celulose, papel e produtos de papel caiu 0,9%.

Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, o crescimento industrial tem efeitos que ultrapassam as próprias fábricas, ao movimentar setores como logística, serviços, tecnologia, manutenção, engenharia e fornecedores. “Mas esse efeito não acontece automaticamente. Ele depende de planejamento e coordenação. Nosso maior desafio hoje é organizar cadeias, mapear gargalos e preparar nossas empresas para gerar mais valor agregado ao que produzimos, fazendo com que os benefícios ultrapassem territórios”, afirma.
Fonte: ES Brasil.