O Mundo teve um dia triste nessa Segunda – Feira com a morte do Papa Francisco de 88 anos.
Sua partida ocorre um dia depois de se pronunciar na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo, no encerramento da missa de Páscoa celebrada por um assitente.
O papa pediu a libertação de prisioneiros de guerra e presos políticos. E reforçou apelos para que prossigam esforços pela paz na Ucrânia e o cessar-fogo em Gaza. Antes, pela manhã, recebeu o vice-presidente dos Estado Unidos, JD Vance. O encontro foi breve, “alguns minutos”, como informou o Vaticano. Francisco é crítico da política do atual governo estadunidense, sobretudo o corte de ajuda humanitária a programas sociais e as ações de deportação indiscriminada de imigrantes.
Ainda no sábado (19), Francisco também foi à Basílica de São Pedro para rezar antes da Vigília Pascal e cumprimentou alguns fiéis.
Sua morte anunciada pelo Vaticano:
“Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja”, informou em nota o cardeal Farrell da Casa Santa Marta.
“Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.”

Papa Francisco em sua última aparição ontem na Missa de Páscoa
Na bênção Urbis et Orbi, por sua vez, papa Francisco relacionou a esperança da Páscoa à paz, pedindo o fim das ofensivas militares na Palestina e os conflitos com Israel:
“Ele nos ensinou a viver os valores das Escrituras com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.”
Segundo a certidão médica que atestou a morte, o papa sofreu um AVC cerebral, entrou em coma e teve um colapso cardiocirculatório irreversível às 7h35, pelo horário de Roma (2h35 em Brasília).
O boletim médico informa que o quadro foi agravado por pneumonia bilateral, bronquiectasias múltiplas, hipertensão e diabetes tipo 2. A morte foi confirmada por um exame de eletrocardiograma.
O papa Francisco ficou internado de 14 de fevereiro a 23 de março no Hospital Gemeli em Roma após sentir dificuldades para respirar durante vários dias.

Sucessor de Bento 16, primeiro papa a renunciar em quase 600 anos, Francisco esteve à frente da Igreja Católica durante 12 anos.
Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 1936. Ele virou padre aos 32 anos, foi arcebispo de Buenos Aires, e se tornou o Papa Francisco aos 76 anos, em 2013.
O nome foi escolhido pelo argentino como homenagem a São Francisco de Assis um santo associado ao compromisso com os mais pobres.
À época de sua eleição, a escolha surpreendeu as listas de favoritos, e suas declarações, atitudes e condução da Igreja causaram espanto semelhante entre aqueles que apostavam numa repetição do conservadorismo de Bento 16.
Francisco foi considerado por alguns especialistas um papa moderno, próximo de causas sociais e sem medo de expressar temas polêmicos e para tradição e os costumes católicos.
Com o fim de seu papado, inicia-se um processo longo, que passa por um período de luto e pelos rituais fúnebres, até a eleição de um novo papa.
Os papas são tradicionalmente escolhidos por cardeais num processo eleitoral extremamente secreto que remonta aos tempos medievais.
Papa Francisco rezou pela humanidade em Praça São Pedro vazia na pandemia; relembre
Entre as diversas imagens e palavras que marcaram seu legado como papa, uma das mais marcantes ocorreu em 27 de março de 2020, no auge da pandemia de Covid-19.
Em um momento marcado pelas medidas de isolamento social e o medo generalizado pela pandemia que avançava e deixava milhares de doentes e mortos em todo o mundo, Papa Francisco rezou pela humanidade sozinho na imensa e vazia Praça de São Pedro.

As cerimônias começam já nas próximas horas desta segunda-feira, segundo anunciado pelo Vaticano. Os horários a seguir estão no horário de Brasília:
- 14h: missa de sufrágio do papa Francisco. Cerimônia ocorrerá na Basílica de São João de Latrão, em Roma, e será realizada pelo cardeal Baldo Reina.
- 14h30: Vaticano rezará o terço por Francisco na Praça de São Pedro.
- 15h: ritos de constatação da morte e deposição do corpo de Francisco no caixão. A cerimônia ocorrerá na capela privada do papa, na Capela de Santa Marta, e será presidida pelo camerlengo Farrell.
Francisco será enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore em Roma, em vez da Basílica de São Pedro, no Vaticano. A última vez que isso aconteceu foi em 1903, com o enterro do papa Leão XIII.
Após a morte do papa, o funeral é feito seguindo a “Ordem das Exéquias do Sumo Pontífice”, que é um livro litúrgico que determina como serão as cerimônias fúnebres do pontífice. As normas foram aprovadas por Francisco em abril de 2024 e publicadas em novembro do mesmo ano.
O primeiro rito é a confirmação da morte, realizada pelo camerlengo —o cardeal responsável por administrar a Igreja durante o período de Sé Vacante. Ele chamará o papa pelo nome três vezes. Se não houver resposta, o óbito será oficialmente declarado.
Antigamente, esse rito era feito com o uso de um martelo de prata, com o qual o camerlengo batia suavemente na testa do pontífice. A prática, porém, caiu em desuso.
Depois da confirmação do óbito, o camerlengo retira o “Anel do Pescador” da mão do papa, que é destruído com um martelo. O procedimento simboliza o fim do papado. O quarto do papa também é fechado e selado.
O corpo do pontífice é colocado em um caixão de madeira com revestimento de zinco e levado para a Basílica de São Pedro, onde será velado. Antes, havia uma passagem pelo Palácio Apostólico, mas essa etapa foi eliminada pelas novas regras.
Na Basílica, o corpo do papa será exposto diretamente no caixão, e não mais de um alto esquife — que é uma espécie de estrado elevado.
Francisco também determinou que o próprio caixão fosse mais simples. Antigamente, o papa era colocado em três caixões, feitos de cipreste, chumbo e carvalho. Agora, a urna terá apenas uma estrutura de madeira revestida por zinco.
Pelas regras da Igreja, o enterro do papa deve ocorrer entre quatro e seis dias após a morte. Ao contrário de outros pontífices, Francisco pediu para ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, em vez da Basílica de São Pedro.
Missas serão celebradas por nove dias consecutivos, seguindo a tradição dos “novendiales”, que é um período de luto e oração pela alma do papa.

O Papa Francisco perante o caixão de seu antecessor, Bento XVI, na missa no Vaticano — Foto: Alberto PIZZOLI / AFP