O Juiz e professor de Direito Carlos Eduardo Ribeiro Lemos participou da Tribuna Livre na Câmara de Vitória nesta segunda-feira (01/09). Ele descreveu a crescente ocupação dos territórios promovida pelas facções criminosas, como é feito o aporte financeiro, e defendeu uma atualização da legislação que defina o terrorismo.
Carlos Eduardo Lemos é autor da obra “Terrorismo à Brasileira”, que trata do crime organizado no Espírito Santo. “Estamos falando de facções criminosas que proíbem crianças de irem para a escola, dominam os territórios, param o transporte público para aquela comunidade e definem a hora do fechamento do comércio para aquele local. Em qualquer lugar do mundo, isso é terrorismo”, definiu.
Ele citou que a legislação brasileira tem brechas porque define que só se enquadra como terrorismo quando há motivação política ou religiosa. “Conclusão: nada que essas facções façam se enquadraria como terrorismo”, disse.
“Me incomoda muito porque parece que a população brasileira está anestesiada com a violência. A gente vê notícias de que foram apreendidos fuzis, que ônibus foram queimados, e ninguém se incomoda mais”, lamentou.
“Estamos falando de um total descontrole da segurança pública. Comunidades inteiras curvadas à ordem do medo por essas facções criminosas”, disse.
“Reconheço todo o investimento feito no Espírito Santo. Aqui, nossas polícias ainda entram em qualquer lugar. Mas o que eu vi no Rio de Janeiro pode chegar ao estado. Essa realidade migra para cá”, acredita.
“As comunidades mais carentes são vítimas disso. Fico chateado quando falam que o que leva ao crime é a pobreza, porque 99% da comunidade pobre é de gente honesta e que é dominada por 1% de criminosos”, disse.
“Sob o manto do silêncio e da omissão, o Brasil criou um monstro. Escrevi esse livro para tirar as pessoas da zona de conforto, para causar inquietude”, contou.
Ele sugeriu que os vereadores levassem essa pauta para seus diretórios e partidos, para que houvesse uma alteração na legislação federal que trata do assunto.
“As polícias são nossas últimas barreiras de contenção. Se não soubermos valorizá-las e dar apoio a elas, sem abrir mão dos melhores projetos sociais, eu fico com pena do que será nos próximos anos no Espírito Santo”, alertou.
Os vereadores parabenizaram o palestrante e endossaram a sugestão que ele deu. O vereador Armandinho da Federal (PL) sugeriu a criação de uma CPI de combate ao crime organizado.
O presidente Anderson Goggi (PP) descreveu diversas situações de violência na comunidade. “Temos que investir em políticas públicas na parte mais alta. Temos que começar a cuidar para dar informação a esse cidadão. Precisamos endurecer as fronteiras e ter na política pessoas que têm coragem de fazer esse enfrentamento”, disse Goggi.
Fonte: Câmara Municipal de Vitória